Fé e coragem são vacinas que protegem contra as doenças da alma, diz médica
- julianopfagundes1
- 2 de mai.
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Foto: Camila Arruda.
Jales Naves
Especial para A Redação
Goiânia – Nenhum fato ou acontecimento está além das aptidões e capacidades das pessoas para lidar com as adversidades. A afirmação é da médica fisiatra Ana Cristina Ferreira Garcia Amorim, formada pela Universidade Federal de Goiás e especialista em dor pela Associação Médica Brasileira. “Tenham a certeza de que a vida nunca nos apresenta um problema sem que tenhamos a possibilidade de resolvê-los”. Por isso – enfatizou – a fé, a coragem e a resiliência são vacinas que imunizam e protegem contra as doenças da alma.
Ela falou no sábado, dia 25 de abril, no debate promovido pela Academia Espírita de Letras de Goiás, sobre “Medicina e Espiritualidade”, enfocando “Existem vacinas para as doenças da alma?”. Escolheu três tipos de vacinas que “não só nos fortalecem e nos protegem, mas principalmente nos transformam, e nos mantém firmes em momentos que a vida nos chacoalha com alguma surpresa inesperada. Citou, como exemplo, uma doença ou alguma dificuldade, seja pessoal, familiar ou profissional.
Fé
A grande maioria das pessoas, especialmente aquelas que já tem em sua vida uma religião – enfatizou –, que já se dedicam à vida espiritual, dizem e afirmam ter fé.
“Mas, o que é fé?. Vocês já pararam para se perguntar? É tão falado, mas difícil de expressar”.
Se se tem dificuldade em falar, imaginem só vivenciar a fé na prática. “Se você tem fé e precisou colocá-la em prática algum dia, sabe exatamente do que se trata, pois ela nos dá a certeza de quem é, e do quanto a temos em nossa vida, quando realmente precisamos”.
A fé – como salientou – é uma força interior que surge dentro da pessoa, “que às vezes nem você sabia que era tão forte, que te sustenta e te dá a certeza plena de que tudo está acontecendo por uma Providência Divina. Da mesma forma que o problema surgiu também serão encaminhados os meios que irão solucionar, ou mesmo amenizar tal problema. É um sentir de que, apesar da realidade conturbada, da dificuldade existir, você carrega a confiança de que tudo se encaminhará da melhor forma”.
Essa melhor forma é que vai mostrando a fé verdadeira, “porque muitas vezes o processo que teremos que passar é longo, pode ser dolorido (não só para você, mas para todos ao seu redor), e pode ir muitas vezes até contra a sua vontade própria”
“Ah! Eu não queria que fosse assim, nunca imaginei que passaria por isso”, diz.
A fé não tem a ver com vontade própria, aquela vontade infantil que parece “birra infantil” de querer escolher. Que não pode ser contrariada…”. A fé é uma vontade firme, é uma boa vontade e disposição de que se aquilo ali veio para sua vida “é porque eu acredito que seja para melhorar, para o aprendizado de algo, que não seria possível sem vivenciar esse momento de dificuldade”.
“A fé nos move, nos impulsiona para fazer a nossa parte no processo, porque fé não é fechar os olhos e somente repetir palavras bonitas, bem decoradas, pedindo apenas a ajuda Divina”, afirmou Ana Cristina. “A fé é aceitar veementemente aquele problema, não se sentir paralisado, e com a reflexão necessária, na velocidade de cada um, ir transformando o medo em ação, em coragem de agir rumo a transformação”.
“A fé é muito mais que um sentimento, é uma decisão”, sublinhou, dizendo que escutou isso em vídeo e apresenta a frase, por acreditar que é uma excelente explicação: “A fé é uma decisão que não apaga o medo, mas ela impede que o medo decida por você. E faz você agir, quando tudo parece parado. Ela não elimina esforço, ela dá sentido ao esforço”.
A fé começa onde o controle termina, e é aí que a pessoa percebe e sente se acredita mesmo, ou se só repete palavras bonitas. “A fé não vai prever o seu futuro, mas vai sustentar o seu presente e fazer com que você permaneça acreditando fielmente enquanto vai fazendo a sua parte”.
Coragem
A outra vacina, que vem junto da fé, e a coragem, algo que surge naquele momento em que você está se sentindo às vezes incapaz o suficiente para tomar a decisão e fazer a sua parte, “É novamente, muito mais que um sentimento. É uma decisão: se não sabemos se nossa fé é verdadeira, a coragem vem então para nos impulsionar e agir conforme a necessidade de entregar aquele momento aos cuidados de Deus, e seguir fazendo a parte que cabe somente a nós”.
A coragem – de acordo com Ana Cristina – enfrenta de cara o medo, desmascara o orgulho e a vaidade, e te mostra opções a serem escolhidas com clareza e confiança. “A palavra coragem tem origem na raiz latina derivando decor, cordis, que significa coração. Ou seja, a coragem nos permite agir utilizando um potencial que vem de dentro: é a voz do coração”.
Coragem não é ser arrogante, astuto e nem ter uma postura agressiva. “Na verdade, é a certeza íntima que demonstra justamente a moderação nas atitudes, a firmeza no caráter e no desempenho perseverante de uma certa atividade. E qualquer que seja essa atividade, que pode ser da mais simples do nosso dia a dia, como a coragem de dizer não a alguém com quem não concordamos e que vive ao nosso lado, até as mais complexas como a coragem de enfrentar o próprio erro que cometemos, e necessitamos reconhecer, perdoar e superar com muito autoamor”.
Explica que ser corajoso é usar a própria alma como guia e não precisar de consentimento ou aprovação externa, além de promover a autoconfiança e “ajudar a concretizar nossas aspirações e anseios. Precisamos estimular essa autoconfiança desde a infância, para conseguirmos ter uma autonomia e independência moral intrínseca para que se torne algo já natural do indivíduo, pois quando deixamos os outros conduzirem nosso jeito de ser, pensar e agir, estamos dando o consentimento de nos usar e até manipular como quiserem”.
“Jesus foi o nosso maior exemplo de coragem: pregou os ensinamentos cristãos diante de pessoas e situações completamente adversas, e se mostrou firme, sem medo da desaprovação. Ele sempre se conduziu com base em sua consciência pessoal, em sua contínua conexão com Deus”, frisou.
Resiliência
“Nenhum fato ou acontecimento está além das nossas aptidões e capacidades para lidar”, disse a médica fisiatra. “Tenham a certeza de que a vida nunca nos apresenta um problema sem que tenhamos a possibilidade de resolvê-los. Por isso, junto à fé e à coragem, a resiliência é uma outra vacina que nos imuniza e nos protege contra as doenças da alma”, pontuou.
Ser resiliente, em sua opinião, é ter a capacidade para adaptar-se a mudanças, superar crises de forma positiva, tornar-se mais forte e transformar o negativo em aprendizado. “Ser resiliente é ser ativo no processo: não é apenas resistir, mas sim sair fortalecido de situações difíceis, melhorando continuamente”. “É mobilizar recursos internos para superar obstáculos, focando no que pode ser feito, e não no problema. É reconhecer a dor e a dificuldade, mas recusar-se a ser dominado por elas. É acreditar na própria capacidade de superação, mesmo quando a solução não é imediata, e pela fé e coragem confiar e agir conforme a Providência Divina”, adiantou.
Numerosas pesquisas científicas trazem a importância da fé, coragem e da resiliência, como no decorrer de tratamentos médicos. “Sabe aqueles casos que a Medicina não explica como houve um resultado tão positivo? Pois é, o que mais os estudos hoje demonstram é que fatores como espiritualidade, sentimentos e atitudes positivas são elementos comuns a todos esses pacientes”.
Estudos também na área de Psicologia Organizacional e Desenvolvimento de Carreira indicam que indivíduos que cultivam fé (entendida como a confiança positiva em um propósito), coragem (ação apesar do medo) e resiliência (capacidade de superar adversidades) tendem a apresentar um desempenho superior, tanto em avaliações teóricas e, por exemplo, provas de vestibular e concursos, quanto em entrevistas de emprego. Essas características agem como pilares comportamentais que sustentam o sucesso a longo prazo.
“Assim, a fé nos sustenta, a coragem nos impulsiona e a resiliência nos capacita nos momentos em que o nosso barco se agita e balança no mar da vida, trazendo a segurança que precisamos nestas turbulências. Que Jesus nos abençoe nesta travessia de aprendizados”, completou.




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